segunda-feira, 20 de junho de 2011
(Des)construção
Aquele foi um dia como qualquer outro. Sábado, duas da tarde e um sol digno de praia paradisíaca, mas havia algo de diferente. Não no dia em si, mas com ele - era uma pilha de pensamentos, incertezas e angústias ambulante. Havia perdido a namorada mais perfeita que já tivera anos atrás e outras após; de certo modo após inúmeras tentativas de não se deixar levar pela tristeza, ele não sabia mais, ou mesmo se esqueceu de, como é sentir algo por alguém, algo que deixa pessoas bobas, alegres, cantantes, irracionais. Isso o deixava angustiado, sem certezas, mas ele se viu pensando, e muito, ao lado dela no banco de trás do carro que seguia viagem até a capital. A princípio, ele pensava no por quê de estar ainda incerto, pois já teria tido tempo suficiente para passar a limpo o que agora é passado. Segundo, se questionava quanto ao que havia naquela menina que o fazia pensar nela. É uma moça que tem lá sua pouca idade, olhos castanhos, pele branca, cabelos negros. Pequeno porte, talvez nem chame tanto a atenção como toda mulher gosta de, mas ele pensa exatamente o oposto: exatamente por não ser como as outras, foi isso o que lhe chamou a atenção. E continuava a pensar, e quanto mais pensava, mais seus pensamentos se emaranhavam. Se a incerteza de antes era a de dar ou não um passo à frente, desta vez era sobre como dar o próximo passo. Ele tem primaveras suficientes para saber como agir, mas talvez há certas coisas que não importa quanto tempo passe, não são fáceis de fazer. Certamente, não é de agora o que ele sente por ela. Em meio a tantas moças bonitas, bem vestidas, mas de intelecto e conduta questionáveis, esta sempre pareceu cativante, interessante. Nesse vai e vem de pensamentos, suas mãos estiveram perto uma da outra em dado momento da viagem; ele pensou em tocá-la, mas o tsunami em sua mente demorou muito a se desfazer. Ela logo pôs-se a tocar outras coisas. Parece que há um medo dentro dele. Mas um medo gostoso, simpático. A viagem segue, e ele continua pensando. Porém, desta vez, é sobre tentar ou não se aproximar mais dela. Ele é relativamente mais velho; já ela, parece não estar interessada, ou não sabe como fazê-lo, mas estas são abstrações de dentro da mente do velho jovem, que infelizmente se põe a ser negativo, pensando em desistir dela sem mesmo ter tentado. Existem dois lados bem contrapostos na experiência: o bom é que dá pra aprender muito com elas, o ruim é que quando aprendem algo, se dão ao luxo de querer fazer isso novamente ou não. Bom, as pessoas são livres para fazerem o que quiserem. Mas pode ser que isso não seja aplicável aos relacionamentos: sabe-se que podem acabar, bem ou mal, ou não acabar, o que é mais difícil. O que o deixa mais confuso é saber se ele quer começar algo novo mesmo, arcando com a realidade ou não quer começar algo que pode muito bem terminar, sem mesmo ter tentado, por puro e imaturo medo. Ele já sabe que este último é um obstáculo, mas acha que quer mesmo tentar ir além da amizade, apesar de estar se questionando sobre até quando ficará de braços cruzados. Espera-se que não demore, pois ele corre o risco de perder uma chance única de recomeçar. Para isso, ele precisa agir mais e basicamente parar de pensar demais e se iludir com coisas que ainda não aconteceram. Não importa o que aconteça, a realidade tem tudo para se tornar perfeita, basta que ele seja a ferramenta para isso.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Contra o contra
Esses jovens da atualidade. Tão libertos, mas ingênuos. Não nasceram no fim da ditadura e sim cresceram dentro do caos do excesso de informação, trazido pelo boom da internet. Grande parte deles desconhecem a sabedoria tradicional dos avós, mas ao mesmo tempo são simpatizantes da contracultura. O que é, de fato, contracultura? Definição de dicionário não conta, não é filosófico. Não são os jovens de hoje individualistas? Se sim, cada um tem um ponto de vista a defender quanto a este assunto. São eles também aqueles que sabem muito bem domar a modernidade. Mas, o que pensam sobre este conceito? Sabem eles que modernidade (ou mesmo progresso), apesar de remeter à prosperidade, crescimento, também pressupõe destruição do obsoleto, antigo, tradicional?
Se sabem, não deveriam tomar suas atitudes modernas como sendo contrárias às antigas, pois ao meu ver, elas parecem não fazer parte do nosso hoje. Assim dizendo, a cultura de determinado espaço e tempo é o que chamarei de cultura vigente, algo que se encontra naquele espaço e tempo e é modelo para a sociedade. Há um século atrás, a própria cultura vigente, aquela que (conceituada um século depois) era contra a homossexualidade, promiscuidade, direitos iguais em geral, era o que chamamos hoje de cultura tradicional. Uma definição um tanto ousada, talvez controversa, olhando de certo ponto de vista. Quando se vive dentro de certa sociedade, inconscientemente ou não, somos induzidos a ceder aos padrões gerais dela; numa visão Durkheimiana, a cultura (ou sociedade, neste contexto) seria a fôrma que molda os indivíduos. Estes, denominados jovens no começo deste rascunho, eu diria que já absorveram os conceitos de sua sociedade, os quais eles mesmos chamam de contrários aos tradicionais: liberdade de escolha sexual (muitas vezes confundida com libertinagem), uso recreativo de substâncias ainda ilícitas, enfim, uma gama de comportamentos e ações que foram trazidas junto com o progresso; são características da cultura vigente ou mesmo a própria tradição moderna. Mas, se tomamos esses aspectos como tal, e os jovens a confundem como sendo contracultura, encontramos um grande paradoxo: será que as culturas tradicionais ainda persistem na era contemporânea a ponto de serem conhecidas, ou os jovens não se importam em conhecê-las profundamente para poderem ir contra elas com argumentos confiáveis e até mesmo refletirem sobre o fundamento da negação ou revolução? Eu não ousaria definir uma cultura com certeza, pois deveria possuir muito conhecimento empírico para, ainda assim, talvez me tornar apto a descrevê-la. A priori, eu diria que ser contraculturalista é ser diferente, e não seguir a modernidade, no seu sentido direto. Porém, me parece que jovens da atualidade mal sabem o que é realmente uma cultura tradicional; logo, na esfera da razão, não faz sentido ser contra algo que não se conhece, que não fora experienciado antes. A velocidade com que a informação viaja e até mesmo a quantidade dela torna-se, suponho eu, obstáculo para eles: afogam-se na própria água que bebem para saciar a sede. Mas uma coisa é certa: o choque entre culturas foi e ainda é inevitável. A exemplo dos anos 60-70 (hippies do lema "paz e amor" como um argumento básico), uma nova cultura, talvez apta a ser chamada de contracultura, pelo menos neste momento, se sobrepôs à cultura vigente da época, gerando no começo grande atrito entre simpatizantes e defensores, cujas ações não passaram de faíscas, pois se o conceito de progresso que apresentei anteriormente está certo, sua cultura obsoleta estava destinada a dar lugar para uma nova.
Sendo assim, conforme essa nova cultura fora se tornando algo geral, padronizado na sociedade, chegariamos a um momento no qual não haveria mais razões para continuar a chamá-la de contracultura. A velha cultura sai de cena nesse contexto, ou em outras palavras, deixa de fazer parte da sociedade. Em suma, não havendo uma cultura tradicional coexistindo com outra moderna, também não existiria razão para criar conceitos de contracultura. Deduzo que esta última, nesse contexto, seria algo não necessariamente novo, mas diferente, no mínimo, que teria capacidade de se sobrepor às novas tendências. Mas estas tendências que observo atualmente são as mesmas daquela época; apenas estão mais visíveis e acessíveis devido obviamente à era moderna e seus feitos globais. Portanto, seria esta, digamos, maior acessibilidade aos recursos ideológicos a razão que leva os jovens a considerarem-se "moderninhos" e contrários à uma cultura que, em teoria, não faz parte do cotidiano deles? É um questionamento, um objeto de estudo muito interessante, e mais do que isso, eu ainda diria que o verdadeiro contraculturalista é aquele que não sabe o que é ser um.
Se sabem, não deveriam tomar suas atitudes modernas como sendo contrárias às antigas, pois ao meu ver, elas parecem não fazer parte do nosso hoje. Assim dizendo, a cultura de determinado espaço e tempo é o que chamarei de cultura vigente, algo que se encontra naquele espaço e tempo e é modelo para a sociedade. Há um século atrás, a própria cultura vigente, aquela que (conceituada um século depois) era contra a homossexualidade, promiscuidade, direitos iguais em geral, era o que chamamos hoje de cultura tradicional. Uma definição um tanto ousada, talvez controversa, olhando de certo ponto de vista. Quando se vive dentro de certa sociedade, inconscientemente ou não, somos induzidos a ceder aos padrões gerais dela; numa visão Durkheimiana, a cultura (ou sociedade, neste contexto) seria a fôrma que molda os indivíduos. Estes, denominados jovens no começo deste rascunho, eu diria que já absorveram os conceitos de sua sociedade, os quais eles mesmos chamam de contrários aos tradicionais: liberdade de escolha sexual (muitas vezes confundida com libertinagem), uso recreativo de substâncias ainda ilícitas, enfim, uma gama de comportamentos e ações que foram trazidas junto com o progresso; são características da cultura vigente ou mesmo a própria tradição moderna. Mas, se tomamos esses aspectos como tal, e os jovens a confundem como sendo contracultura, encontramos um grande paradoxo: será que as culturas tradicionais ainda persistem na era contemporânea a ponto de serem conhecidas, ou os jovens não se importam em conhecê-las profundamente para poderem ir contra elas com argumentos confiáveis e até mesmo refletirem sobre o fundamento da negação ou revolução? Eu não ousaria definir uma cultura com certeza, pois deveria possuir muito conhecimento empírico para, ainda assim, talvez me tornar apto a descrevê-la. A priori, eu diria que ser contraculturalista é ser diferente, e não seguir a modernidade, no seu sentido direto. Porém, me parece que jovens da atualidade mal sabem o que é realmente uma cultura tradicional; logo, na esfera da razão, não faz sentido ser contra algo que não se conhece, que não fora experienciado antes. A velocidade com que a informação viaja e até mesmo a quantidade dela torna-se, suponho eu, obstáculo para eles: afogam-se na própria água que bebem para saciar a sede. Mas uma coisa é certa: o choque entre culturas foi e ainda é inevitável. A exemplo dos anos 60-70 (hippies do lema "paz e amor" como um argumento básico), uma nova cultura, talvez apta a ser chamada de contracultura, pelo menos neste momento, se sobrepôs à cultura vigente da época, gerando no começo grande atrito entre simpatizantes e defensores, cujas ações não passaram de faíscas, pois se o conceito de progresso que apresentei anteriormente está certo, sua cultura obsoleta estava destinada a dar lugar para uma nova.
Sendo assim, conforme essa nova cultura fora se tornando algo geral, padronizado na sociedade, chegariamos a um momento no qual não haveria mais razões para continuar a chamá-la de contracultura. A velha cultura sai de cena nesse contexto, ou em outras palavras, deixa de fazer parte da sociedade. Em suma, não havendo uma cultura tradicional coexistindo com outra moderna, também não existiria razão para criar conceitos de contracultura. Deduzo que esta última, nesse contexto, seria algo não necessariamente novo, mas diferente, no mínimo, que teria capacidade de se sobrepor às novas tendências. Mas estas tendências que observo atualmente são as mesmas daquela época; apenas estão mais visíveis e acessíveis devido obviamente à era moderna e seus feitos globais. Portanto, seria esta, digamos, maior acessibilidade aos recursos ideológicos a razão que leva os jovens a considerarem-se "moderninhos" e contrários à uma cultura que, em teoria, não faz parte do cotidiano deles? É um questionamento, um objeto de estudo muito interessante, e mais do que isso, eu ainda diria que o verdadeiro contraculturalista é aquele que não sabe o que é ser um.
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