domingo, 28 de agosto de 2011

Delírios ou confusões?

Em cada abraço, cada beijo, cada gesto, cada sorriso
vejo nela momentos meus que não se encaixaram
em outros tempos dessa minha, sua, nossa curta vida
por simples falta de sintonia ou mesmo vontade.

É sempre sem medo de chegar lá que ajo;
era no medo de que eu chegasse lá que me despedia.
Sem ressentimento, sem ódio: medo consome tempo.
Tempo é tudo o que posso oferecer à ela agora.

E, a cada segundo que ofereço, ela me dá motivo para ficar
e motivo para ficar sem medo de perder tempo.
Seria delírio se eu me sentisse limitado por causa dela;
seria confusão se isso parecesse falta de bem-querer.

Tudo é tão simples e tão... Perfeito. Tão mágico...
Quero eu perder todas essas possibilidades? Jamais.
Qualquer abraço, qualquer beijo, qualquer sorriso
é motivo para ser feliz; Amor não é delírio nem confusão.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

I'm having my mind hit hard since ever, but it's quite noticeable these days. Although I feel like I know what to do to build a nice future up, sometimes my hope for some things is fading, slightly being left behind, leaving me without an objective long ago made, that was fighting for and having a nice girl by my side.

Well done things are odd. The bright side is that they show how a victory can be on minds forever, but the bad part is exactly the same thing: golden achievements are so perfect that I get afraid of trying again. Just can't do it again, just can't find ones that just fit the roles beside mine. Therefore, my mind always walk to the part that, even if I am aware that it must be put aside, leads to the most perfect relationship I've ever built in life. She was not perfect, neither was I. The perfection of all we had was that we were linked in a really deep way. I don't know how was her linkage, can't read minds. I, for example, was too determined that coudln't even pay attention to easy girls I had around while I was living far away from her. I mean, I could easily cheat a lot, but just didn't feel like doing it. My linkage with her was not about flesh desires; it was far more than that. It was love. At least for me it was real. With her nearby or not, I was happy, was fulfilled with joy. It was really perfect in every single way and I can't explain well why; I just know that a well fought battle is extremely more worth than a victory.

So, sometimes I catch myself thinking about going through all of that again. Do I want? Maybe. Was it worth being done? Absolutely. Did that get us tired? Sometimes. Questions, many questions with several answers or even without explaination. The reality is that now we are apart, or we think we are. Here, I try at maximum to rebuild a path and restart chasing some of the dreams I still keep inside. They might take some good years to come true, and if there is a thing I have learned in the last years, is that things happen in the time they have to. It's not fate neither destiny; it's just the reality. Haste is enemy of perfection, isn't it how they tell us? A bit more haste on a dream can easily change the way it's going to come true. Well, I am not really worried about my dreams right now, just about the path I took to get there.

When I was still with her, I had a dream of living with ease in Europe. Tried Asia first but it wasn't the best place for a living, or it was my very own fate of being just an ordinary man that couldn't cheer me up or even open doors in the way to a brighter future. It was hard in Japan; at first, I ignored the reality about Europe, but then i realised it was even harder in there. Ignored, set aside, impeached by psychological walls; that is how I felt in both places . Thus, being just an ordinary man is too useless to get over reality. So, in order to get that dream true, I started to chase a path to boost that simple man I was. I need to be a borderless man, big figure to stop being ignored. Let me say I chose to be part of Diplomacy world just to take all of those "walls" down. I'm already treading it, but the worst part is the rough path I have to follow until I get there.

Meanwhile, life goes on, we get old. Everything, everywhere and everyone change. Who knows if we can get together again in the future? Noone. It works for the other way around too: Who knows if we can NOT get together again? It will be all about possibilities. I might be able to live where I want in a few years, therefore, my dream can come true by then. Being again with her can happen, or not. Am I worried about it? Not really, because I think about possibilities, and she is totally worth having me fighting all over again for a nice relationship. At least, this is a possibility more interesting than me finding another "her" in where I am right now. The girls around me grew up inside another kind of culture; they have different ways of thinking, when they can do it (hope to not be taken personally by saying this). I am not young anymore, neither am rich os have a nice car, and those girls are all about these. Cherish what they see, not what makes them feel. I have a lot to share; but like told above, just can't find someone I feel like worth fighting for, someone that can fill the roles. These are part of the things that make my hope about this kind of thing be put aside. Then here comes another crucial question: Can I forecast the future? Of course no. I may find another woman right in the moment I finish to write this, or may not; that is the reason I don't chase after answers anymore. Better like this, because life wouldn't be worth living if we knew everything... Not knowing how things will work out is part of the fun.

As last words, I just wanted to throw up some stingy thoughts outside my heart. No matter how hard I try to not compare girls, my "best relationship ever" issue shows up. Good to have a relationship model to count on; not good to have a too perfect one. While I get no answers for everything, I keep living with enthusiasm every simple day, making myself a better man, hoping to be able to catch chances at the very right time they happen.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Passar algumas semanas longe da faculdade me fez bem, pois tive a oportunidade de refletir sobre o ambiente no qual passarei os próximos 4 ou 5 anos. Refleti sobre pessoas, objetivos de vida, mas possibilidades reais acima de tudo. Ter um objetivo é essencial, sonhar faz parte, mas saber como realizá-los é outra história, que por sinal, é bem diferente daquilo que podemos imaginar.

Quanto a pessoas, vejo meu passado trafegar diante dos meus olhos o tempo todo mas nada posso fazer a respeito. É justo dizer que não tenho tanta idade assim, a mais do que daqueles ao meu redor, porém, é com certa agonia e sensação de incapacidade de fazer algo a respeito que os vejo repetirem certos desastres que eu mesmo cometi quando tinha dada idade. Era impaciente, tinha uma grande auto-cobrança, perfeccionismo rolava solto, sonhava alto, desejava apenas as meninas mais lindas. Oras, eu tinha acabado de me tornar adulto, logo, eu tinha poder para ter tudo e ser o melhor. Começou aí a gama de erros... Mas é claro, porque supostamente eu não precisaria mais entender o que a experiência dos mais velhos tinha para oferecer. Eu sabia de tudo, não precisava aprender mais nada.

E, ao me tornar num grande adulto, me vi também sendo sugado pela realidade: tinha de pagar minhas próprias contas, e para isso, despejava mais da metade do meu dia no trabalho. Mamãe e papai pagando faculdade? Nem pensar. Por um momento, pensei que estas coisas fossem um obstáculo para a realização de sonhos, mas o obstáculo, na verdade, era o próprio sonho; muito perfeito, fora da realidade. Não que fosse impossível de realizar, mas haviam coisas que deveriam ser feitas que às vezes estavam fora do meu alcance para que o sonho tomasse vida. Até aqui, eu sentia que a vida era pesada demais, cruel demais; ela me dava a todo momento motivo para desistir e vontade de fugir. Assim sendo, minhas expectativas surreais foram se tornando a fonte das minhas desilusões e sofrimentos, pois criei uma visão de futuro que não era alcançável. Também colocava a culpa na realidade, naquela que sugava metade do meu tempo disponível para me pagar um dinheiro que seria usado para apenas repetir o processo da vida cotidiana. A realidade era cruel. Sim, verbo no passado, pois ela deixa de ser quando eu a encaro com seriedade e coragem. Mas apenas aprendi a lidar com a realidade quando me dei conta de que deveria aprender a viver. Deixei de lado o perfeccionismo, os sonhos inalcançáveis, dei atenção para as garotas "pé no chão". Após isso, a vida me foi tão mais aveludada, mais viva, porque tudo ficava mais harmonioso, mais real. Aprendi que se a realidade é aonde vivemos, é perda de tempo fugir dela. Dizem que tempo é dinheiro, mas eu diria que, neste contexto, tempo é sucesso em realizações, pois o tempo bem administrado garante a construção de alicerces firmes para sonhos reais.

Esta é uma experiência real que vivi e que gostaria de passar adiante, mas há hoje um outro aprendizado que será muito proveitoso para mim: não importa o quanto eu queira ajudar os mais novos, não tenho poder para fazê-los digerir o conhecimento que tenho para oferecer. E é por isso que às vezes me sinto incapaz de fazer algo a respeito de ensiná-los a não cometer os mesmos erros que cometi. Na verdade, até poderia agir, mas estaria sendo hipócrita, pois, se existe algo conhecido como liberdade, eles têm todo o direito de errar. Minha liberdade acaba quando começa a do próximo. E o que eu teria para aprender com isso? O respeito ao próximo. Por este ponto de vista, deixar os amigos se ferrarem mesmo podendo evitar que isso aconteça pode ser interpretado como falta de respeito, mas é justamente o contrário: por mais que as experiências dos outros possam nos ensinar algo de útil, nada neste mundo substitui uma cicatriz no nosso próprio corpo. E se é assim que tenho que conviver com os mais jovens, que assim seja a realidade.

Minha reflexão sobre objetivos de vida, após tudo isso, centrou-se em torno de comparações entre elementos do meu passado (que por acaso seriam semelhantes aos dos jovens do meu redor) e os de hoje. Como dito antes, meus objetivos eram irreais, fora da realidade. Eu achava que poderia tudo, que teria tudo, que seria o melhor. Pensava em ser médico, porque achava que com isso seria o melhor; descobri que não tinha estômago para fraturas expostas. Depois, quis ser engenheiro, achando a mesma coisa, mas foi frustrante saber que era uma negação em matemática e física. Sonhos, sonhos... Altos demais para mim. Antes destes acontecimentos, a mudança de país na minha infância (pré-adolescência) também foi um golpe brusco da realidade. Nem que eu quisesse muito me tornar médico ou engenheiro eu conseguiria sem ter patrocínio, pois não há faculdades públicas naquele país. Apesar de tudo, foi naquele mesmo país que comecei a dar ouvidos à realidade e, consequentemente, criei um objetivo complexo, mas bem alcançável, se comparado aos outros anteriores. Na adolescência, tratei de aprender a língua japonesa e acabei aprendendo a inglesa de bônus. Administrei meu tempo no trabalho para realizar um dos sonhos que era fazer um mochilão pela Europa. Ali, senti que queria mais, que deveria aprender outras línguas, mas acima de tudo, entendi que eu deveria ser um cidadão do mundo. Diplomacia, essa é a palavra. Por que não trabalhar em algo que me daria a oportunidade de viajar o mundo todo? Pode não ser o melhor emprego do mundo, mas eu não preciso mais ser o melhor... Apenas preciso saber o que fazer para chegar lá, e disso agora eu sei. É um objetivo muito diferente dos antigos, e é por isso que foi saudável refletir. Rever conceitos, reavaliar objetivos, retomar o foco. Coisas possíveis apenas quando se leva a vida a sério. e por sério eu quero dizer viver a vida em sua plena realidade, crueza e frieza.

Encarar a vida de peito aberto, eis o segredo da simplicidade. Sonhos grandes são legais, interessantes, mas são complexos e o sofrimento que a decepção sofrida quando não podem ser realizados é proporcional à esta complexidade. Infelizmente, seres humanos tendem a seguir o caminho mais curto, tendem à fuga, mas nem sempre o caminho mais curto é garantia de sucesso e nem sempre a fuga é garantia de mudança (pelo menos não pra melhor). Levar coisas a sério é difícil, às vezes, assim como a infância que, para todos, um dia acaba e esse dia é muito penoso, mas a seriedade que vem junto com as responsabilidades da vida adulta nos traz coisas muito positivas, como o poder de realizar coisas que não eram possíveis na infância. É claro que há diferenças individuais quanto ao processo de transição de etapas; é aí que vejo pessoas fugindo da realidade, pois têm medo de crescer. Também evito de tentar fazer algo a respeito destes indivíduos porque talvez precisem passar por isso. É algo que faz parte da realidade, por isso, aceito tal coisa como é, sem querer mudá-la. Esta é a minha seriedade, que eu gostaria que todos pudessem também aprender a ter e é ela que vai continuar a me guiar nos trilhos da vida.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Amor de chuva

Na plataforma, à espera do trem
sobre a linha amarela
o anúncio diz que o comboio já vem
no destino, espero por ela

Aquele mar no vai e vem
pintura de aquarela
pinta e borda ele também
à espera da donzela

Na estação de itanhaém
a presença do amor dela
assim não vejo mais ninguém
que beleza é aquela?

A chuva cai lá fora, meu bem
escorada na janela
o céu cinza não sorriu para ninguém
mas sua silueta é tão bela...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

(Des)construção

Aquele foi um dia como qualquer outro. Sábado, duas da tarde e um sol digno de praia paradisíaca, mas havia algo de diferente. Não no dia em si, mas com ele - era uma pilha de pensamentos, incertezas e angústias ambulante. Havia perdido a namorada mais perfeita que já tivera anos atrás e outras após; de certo modo após inúmeras tentativas de não se deixar levar pela tristeza, ele não sabia mais, ou mesmo se esqueceu de, como é sentir algo por alguém, algo que deixa pessoas bobas, alegres, cantantes, irracionais. Isso o deixava angustiado, sem certezas, mas ele se viu pensando, e muito, ao lado dela no banco de trás do carro que seguia viagem até a capital. A princípio, ele pensava no por quê de estar ainda incerto, pois já teria tido tempo suficiente para passar a limpo o que agora é passado. Segundo, se questionava quanto ao que havia naquela menina que o fazia pensar nela. É uma moça que tem lá sua pouca idade, olhos castanhos, pele branca, cabelos negros. Pequeno porte, talvez nem chame tanto a atenção como toda mulher gosta de, mas ele pensa exatamente o oposto: exatamente por não ser como as outras, foi isso o que lhe chamou a atenção. E continuava a pensar, e quanto mais pensava, mais seus pensamentos se emaranhavam. Se a incerteza de antes era a de dar ou não um passo à frente, desta vez era sobre como dar o próximo passo. Ele tem primaveras suficientes para saber como agir, mas talvez há certas coisas que não importa quanto tempo passe, não são fáceis de fazer. Certamente, não é de agora o que ele sente por ela. Em meio a tantas moças bonitas, bem vestidas, mas de intelecto e conduta questionáveis, esta sempre pareceu cativante, interessante. Nesse vai e vem de pensamentos, suas mãos estiveram perto uma da outra em dado momento da viagem; ele pensou em tocá-la, mas o tsunami em sua mente demorou muito a se desfazer. Ela logo pôs-se a tocar outras coisas. Parece que há um medo dentro dele. Mas um medo gostoso, simpático. A viagem segue, e ele continua pensando. Porém, desta vez, é sobre tentar ou não se aproximar mais dela. Ele é relativamente mais velho; já ela, parece não estar interessada, ou não sabe como fazê-lo, mas estas são abstrações de dentro da mente do velho jovem, que infelizmente se põe a ser negativo, pensando em desistir dela sem mesmo ter tentado. Existem dois lados bem contrapostos na experiência: o bom é que dá pra aprender muito com elas, o ruim é que quando aprendem algo, se dão ao luxo de querer fazer isso novamente ou não. Bom, as pessoas são livres para fazerem o que quiserem. Mas pode ser que isso não seja aplicável aos relacionamentos: sabe-se que podem acabar, bem ou mal, ou não acabar, o que é mais difícil. O que o deixa mais confuso é saber se ele quer começar algo novo mesmo, arcando com a realidade ou não quer começar algo que pode muito bem terminar, sem mesmo ter tentado, por puro e imaturo medo. Ele já sabe que este último é um obstáculo, mas acha que quer mesmo tentar ir além da amizade, apesar de estar se questionando sobre até quando ficará de braços cruzados. Espera-se que não demore, pois ele corre o risco de perder uma chance única de recomeçar. Para isso, ele precisa agir mais e basicamente parar de pensar demais e se iludir com coisas que ainda não aconteceram. Não importa o que aconteça, a realidade tem tudo para se tornar perfeita, basta que ele seja a ferramenta para isso.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Contra o contra

Esses jovens da atualidade. Tão libertos, mas ingênuos. Não nasceram no fim da ditadura e sim cresceram dentro do caos do excesso de informação, trazido pelo boom da internet. Grande parte deles desconhecem a sabedoria tradicional dos avós, mas ao mesmo tempo são simpatizantes da contracultura. O que é, de fato, contracultura? Definição de dicionário não conta, não é filosófico. Não são os jovens de hoje individualistas? Se sim, cada um tem um ponto de vista a defender quanto a este assunto. São eles também aqueles que sabem muito bem domar a modernidade. Mas, o que pensam sobre este conceito? Sabem eles que modernidade (ou mesmo progresso), apesar de remeter à prosperidade, crescimento, também pressupõe destruição do obsoleto, antigo, tradicional?

Se sabem, não deveriam tomar suas atitudes modernas como sendo contrárias às antigas, pois ao meu ver, elas parecem não fazer parte do nosso hoje. Assim dizendo, a cultura de determinado espaço e tempo é o que chamarei de cultura vigente, algo que se encontra naquele espaço e tempo e é modelo para a sociedade. Há um século atrás, a própria cultura vigente, aquela que (conceituada um século depois) era contra a homossexualidade, promiscuidade, direitos iguais em geral, era o que chamamos hoje de cultura tradicional. Uma definição um tanto ousada, talvez controversa, olhando de certo ponto de vista. Quando se vive dentro de certa sociedade, inconscientemente ou não, somos induzidos a ceder aos padrões gerais dela; numa visão Durkheimiana, a cultura (ou sociedade, neste contexto) seria a fôrma que molda os indivíduos. Estes, denominados jovens no começo deste rascunho, eu diria que já absorveram os conceitos de sua sociedade, os quais eles mesmos chamam de contrários aos tradicionais: liberdade de escolha sexual (muitas vezes confundida com libertinagem), uso recreativo de substâncias ainda ilícitas, enfim, uma gama de comportamentos e ações que foram trazidas junto com o progresso; são características da cultura vigente ou mesmo a própria tradição moderna. Mas, se tomamos esses aspectos como tal, e os jovens a confundem como sendo contracultura, encontramos um grande paradoxo: será que as culturas tradicionais ainda persistem na era contemporânea a ponto de serem conhecidas, ou os jovens não se importam em conhecê-las profundamente para poderem ir contra elas com argumentos confiáveis e até mesmo refletirem sobre o fundamento da negação ou revolução? Eu não ousaria definir uma cultura com certeza, pois deveria possuir muito conhecimento empírico para, ainda assim, talvez me tornar apto a descrevê-la. A priori, eu diria que ser contraculturalista é ser diferente, e não seguir a modernidade, no seu sentido direto. Porém, me parece que jovens da atualidade mal sabem o que é realmente uma cultura tradicional; logo, na esfera da razão, não faz sentido ser contra algo que não se conhece, que não fora experienciado antes. A velocidade com que a informação viaja e até mesmo a quantidade dela torna-se, suponho eu, obstáculo para eles: afogam-se na própria água que bebem para saciar a sede. Mas uma coisa é certa: o choque entre culturas foi e ainda é inevitável. A exemplo dos anos 60-70 (hippies do lema "paz e amor" como um argumento básico), uma nova cultura, talvez apta a ser chamada de contracultura, pelo menos neste momento, se sobrepôs à cultura vigente da época, gerando no começo grande atrito entre simpatizantes e defensores, cujas ações não passaram de faíscas, pois se o conceito de progresso que apresentei anteriormente está certo, sua cultura obsoleta estava destinada a dar lugar para uma nova.

Sendo assim, conforme essa nova cultura fora se tornando algo geral, padronizado na sociedade, chegariamos a um momento no qual não haveria mais razões para continuar a chamá-la de contracultura. A velha cultura sai de cena nesse contexto, ou em outras palavras, deixa de fazer parte da sociedade. Em suma, não havendo uma cultura tradicional coexistindo com outra moderna, também não existiria razão para criar conceitos de contracultura. Deduzo que esta última, nesse contexto, seria algo não necessariamente novo, mas diferente, no mínimo, que teria capacidade de se sobrepor às novas tendências. Mas estas tendências que observo atualmente são as mesmas daquela época; apenas estão mais visíveis e acessíveis devido obviamente à era moderna e seus feitos globais. Portanto, seria esta, digamos, maior acessibilidade aos recursos ideológicos a razão que leva os jovens a considerarem-se "moderninhos" e contrários à uma cultura que, em teoria, não faz parte do cotidiano deles? É um questionamento, um objeto de estudo muito interessante, e mais do que isso, eu ainda diria que o verdadeiro contraculturalista é aquele que não sabe o que é ser um.

domingo, 15 de maio de 2011

Conhece-te, aceita-te, supera-te.

São seis da manhã e quase trinta
a festa acaba com gosto de cerveja quente
muita gente já foi embora, mas outras insistem
e assim se reconhece uma farra homérica

Olhe ao seu redor, peço que sinta
o tamanho da bagunça deixada pela gente
de repente a sensação estranha é de vertigem
e num canto do jardim ela está, histérica

Pessoas pelo chão, roupas banhadas
maquiagens borradas e palavras sem sentido
certamente existe um grande cansaço
não do corpo, mas da mente que vem me dizer

Que já é tarde para ir ou estar em baladas
é hora de entender que esse tempo foi vencido
para não se fazer mais de palhaço
essa é uma parte da infância que quero esquecer.

domingo, 8 de maio de 2011

Parabéns, mamães do mundo afora

Dia das mães. Dia de agradecer àquela que nos deu a luz e nos ensinou o valor da vida. Data especial para quem tem e data para ser lembrada por quem já a perdeu ou mesmo não a conhece. Ou talvez seja uma data que não passa de simbolismo moderno. Mas, afinal, o que é ser mãe?

Ser mãe é um mistério (e sempre será) para os homens. Conceber e carregar um outro ser no ventre por algum tempo e vê-lo crescer ao longo dos anos é um presente que só mães conseguem entender o significado. Ser pai, por outro lado, não chega nem perto disso, pois homens são bem mais ausentes (em geral) no que se trata de criar filhos. Mas isso não quer dizer que não sabem fazê-lo... São apenas diferentes; pensam diferente, portanto, agem de formas diferentes.

Atualmente, segundo minhas observações, ser mãe é uma tarefa um tanto árdua, tanto para a família quanto para a humanidade em si. Por quê? Porque temos mais de 6 bilhões de seres humanos no mundo, fora aqueles que não são registrados. Sucessivas crises econômicas puseram salários de trabalhadoras em xeque, enquanto populações urbanas não param de crescer, o que eleva os efeitos do colapso. Somando a isso, há um grande problema assolando (mesmo que em termos abstratos) o mundo como um todo: a questão da segurança alimentar. Sim, 6 bilhões de bocas para alimentar (sabemos que isso não é homogêneo, vide caso de países africanos semi-dizimados pela fome). De onde virá tanto alimento quando atingirmos os 10 bilhões? É óbvio que, com a corrente concentração absurda de riqueza nos países industrializados, estes serão os que menos sofrerão, em termos econômicos, os efeitos do aumento previsível dos preços de alimentos. Quanto aos países em desenvolvimento, exportadores de alimentos? Estes tendem a piorar mais suas situações econômicas e desencadear conflitos decorrentes dessa previsão desagradável.

Como consequências, mais aumento na concentração de riquezas e o aumento do número de famintos serão inevitáveis se o progresso continuar da mesma forma no mundo. Há milhares de mulheres querendo emancipação, mas recebendo cada vez menos remuneração, algo muito necessário para se poder conceber herdeiros em meio urbano: seria possível conceber e criar um bebê dessa forma? Caso seja, não seria desumana a batalha pela sobrevivência, tanto de mãe como de filho?

É claro que há muita coisa a ser discutida nesse âmbito. Mas, a longo prazo, o que podemos prever é que trabalharemos mais por menos salário e pagaremos mais para poder apenas sobreviver. Um infortúnio para quem já é vivo, um futuro obscuro para quem está para vir e certamente uma ausência de futuro para aqueles que estão nos planos de mulheres que querem ser mães. Já há muita injustiça no mundo; talvez seria uma injustiça também gerar novos seres humanos "sobre a fogueira" do mundo atual.

O mundo é dos mais fortes. E hoje eu sei (por dedução) que para ser mãe, tem de ser muito forte. Quero acreditar que o mundo é (se não, será) delas e não daqueles que se deleitam e enriquecem às custas dos esforços dos menos favorecidos no cenário atual da humanidade.

Mesmo assim, Parabéns a todas as mamães desse mundo afora!

domingo, 1 de maio de 2011

Maybe someday

Maybe someday... We will know why
why we did what only we share
how life led us to different nights
'til the day we meet again.

Maybe someday... We'll be surprised
and nothing will make us scared
like a nice soul turning on the lights
in a cloudy, fogged day of rain.

Maybe someday... I really feel I
might find my doubts solved
and mind clearer than ever
Hoping I can reach and get through.

Maybe someday... Life and me alive
will watch stones being removed
from my roads forever
Wishing me to walk on with you.

Maybe someday... We will know why
Why I love this much myself
and have no reasons to feel less
well, it is really only me, by now.

Maybe someday... You will find
that I love you 'cause I love myself
and it's something just flawless
I can't get it off from me, not now.


terça-feira, 26 de abril de 2011

Melhor não.


Oh please, let it rain today.
This city so filthy, like my mind in ways...
Oh, 'was a time like a clean, new taste
Smiling eyes before me, inches from my face.

Wash my love, wash my love, wash my love... yeah.

Sin to sell, buyin' just need
Who planted all the devil's seeds?
And what the truth, the truth that lies at home
It's on the inside, and I can't get it off... yeah

Wash my love, wash my love, wash my love... yeah.

What's clean is pure, but hey... I'm white on the outside, though I stray...
What she don't know today might kill us both tomorrow... Bring it back, someway.
Bring it back, to the clean form, to the pure form. Wash my love, wash my love...




Deixe chover hoje, por favor.
Essa cidade tão poluída, como a minha mente, às vezes
Houve um tempo inesquecível
Olhos sorridentes para mim, muito pertos do meu rosto.

Esqueça, esqueça, esqueça...

Pecados demais, poucas esperanças
Quem foi que plantou as sementes do mal?
E aquele fato, o fato dentro de mim
Está aqui dentro, não consigo botá-lo pra fora...

Esqueça, esqueça, esqueça...

O que é nobre é puro mas veja... Estou bem por fora, mesmo não parecendo
O que ela não sabe hoje vai nos atormentar amanhã... Traga isso de volta, de algum jeito.
De volta ao estado puro, ao estado nobre... Esqueça, esqueça...


Pearl Jam - Wash

*Tradução individual

terça-feira, 19 de abril de 2011

O novo, de novo

Nos seus olhos, vejo a verdade brilhando
Mas sei que ela jamais sairá da sua boca
Já aprendi a ler sinais jogados no ar
Suas jogadas me dirão mais do que palavras

Nos teus medos, há uma cidade olhando
Seu ideal é perfeito mas pensará ser louca
Não esqueço dessa flor que se abriu ao luar
E suas palavras não passarão de ciladas

Aquele abraço, aquele calor e toda sintonia...
Não foram os mesmos do sempre que não aconteceu
Eu li o medo estampado na sua aura juvenil
Medo esse que espero não lhe atrasar...

Meu silêncio era tudo o que oferecer-lhe-ia...
Mas foram os medos do incrível dia que anoiteceu
que me fizeram proferir a pergunta infantil
cuja resposta ouso dizer que devo já portar...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Momento ocioso em sala de aula #1

「口づけば
愛する奇跡
信じたく」

"Kisses
and the miracle of love
I want to believe"

Olhos no vazio

Apenas observo.

Observo coisas, pessoas, ambientes; tudo e todos mudam a todo momento. Não julgo. Me encontro desprovido de capacidade de julgar... Apenas ouso questionar.
Cada momento parece uma foto que não guarda memórias; será que nada fica, nada permanece o mesmo?

Observo a vida passar freneticamente. Será que não há mais objetivos nem sonhos de longo prazo, aqueles que supostamente valeriam a pena se fossem realizados? Será que tudo é tão descartável, tão virtual quanto parece?

Os tempos mudaram, e com eles, a vida e todo seu conceito que nos fora ensinado na escola. O conhecimento útil torna-se defasado a cada segundo que passa. Será que a conclusão é a de que só o momento importa agora? Se sim, aqueles objetivos e sonhos são não mais do que areia ao vento?

Tudo acontece tão rapidamente e tão superficialmente que já não consigo mais ter tempo de engolir e digerir fatos; os processos começam e terminam antes mesmo de poder senti-los efetivamente. Não há como julgá-los. E eu só consigo observá-los. Só posso observá-los. Apenas observo...

sábado, 19 de março de 2011

Out(r)ono

O vento frio, roçando em meus braços
vem avisar que o verão já se foi
e com ele, as sofridas batalhas...
Fica só o que se tornou aprendizado

Uma nova vida para a velha vida
Novos livros, novas histórias
novas pessoas e novos amores
E, quem sabe, uma nova estação?

fim de tarde, laranja, tinge o horizonte
É outono, mansinho, folhas secas no chão
sem mormaço pesado para entediar
e as blusas guardadas saem para passear

Pede um chá às cinco para me esquentar...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Gratidão pelo caos

Perder amigos, parentes, namoros, dinheiro, imóveis e tudo aquilo que sempre queremos ter pra sempre. Acontece sempre com alguns, quase nunca com poucos, mas por serem processos naturais, acontece com todas as pessoas durante a vida e torna-se a causa de infelicidade, estresse e perda de tempo, com razões aparentemente impossíveis de superação. Mergulhar fundo na infelicidade oriunda destas também é uma perda (de capacidade pessoal de realização, de tempo e vida, etc), porém, poucos praticam ou sabem que existem passos simples para que a vida torne-se agradável antes que seja tarde demais.
Coloca-se tanto querer, amor em coisas e pessoas alheias e quando estas se vão, dor e tristeza toma conta das pessoas. Culpam-se, culpam os outros, choram como crianças que nada sabem da vida. E ficam em depressão por longos períodos, por ser cômodo, realizando (mesmo que inconscientemente) a auto-sabotagem. Estas são as opções que muitos escolhem na hora da dor, e é difícil oferecer auxílio, principalmente quando diálogos entre pacientes e voluntários limita-se ao questionamento da causa ou consequência da situação.
Sair do fundo do poço é uma tarefa muito árdua: para o infeliz, ninguém pode ajudar, nada faz sentido nem funciona. Em muitos casos, existe o receio de "seguir em frente", a vontade de voltar atrás ou o medo de repetir experiências traumatizantes. Assim como sexo, respiração e fome, é instinto humano entrar em estado de alerta após episódios desagradáveis. Porém, logicamente, instintos básicos por si só são fatores que limitam as capacidades (intelectuais e pessoais) dos seres humanos, além de causarem efeitos colaterais para pessoas ao redor. É fácil perceber que pessoas em depressão ou perdidas em confusão e dor fazem e dizem coisas que não poderiam (ou não gostariam) se estivessem de bem com a vida, perdendo (ou afastando) amigos, parentes, conhecidos, desconhecidos (ou qualquer outra espécie de relacionamento interpessoal) e/ou colegas de trabalho.
Existem soluções para quase toda a infinidade de eventos. No papel, talvez sejam coisas fáceis de abordar, mas não há como dizer que viver feliz é fácil. Ser bebê, mãe, pai, namorado(a), estudante, trabalhador, desempregado, vagabundo, homossexual, heterossexual, chefe, empregado, familiar: "ser" PARA os outros é desumano, doloroso. Mas "ser" você mesmo é muito possível. Viver em função das coisas e dos outros traz as consequências desastrosas que foram supracitadas. Viver de bem consigo mesmo é como ir para a escola: só aprende quem quer. A felicidade deve vir, antes de tudo, do interior da própria pessoa. Não se pode criar dependência de nenhuma natureza (não por muito tempo) nos pais, familiares, parceiros e objetos. A vida tem um começo e um fim, assim como objetos e relacionamentos. Isso não é pessimismo, basta olhar ao redor: quase sempre é possível ver e aprender com o que a vida nos oferece. A palavra "sempre" é um tanto incoerente, pois ninguém vive pra sempre e nem o universo existirá pra sempre. O "sempre" frequentemente acompanha promessas, que também frequentemente não são cumpridas, e promessas desfeitas ou não cumpridas são mais causas de más experiências. Moral da história: Aceitar que nada (nem a infelicidade) dura pra sempre é o primeiro passo pra ser feliz consigo mesmo. O segundo é ser grato pelas experiências ruins que a vida nos oferece, levando o aprendizado para não repetir depois o que foi ruim. Acredite: a pessoa que agradece por estar na merda é a mais sábia e feliz do mundo.

"La sonrisa es una línea curva que endereza muchas cosas..." - Autor desconhecido