Chegou a hora, uma hora qualquer de um simples final de dia. 06 de Janeiro. Naquele dia, naquele horário, em algum canto desse imenso mundo alguém comemorava um aniversário; um novo bar abrira suas portas; o sol nascera do outro lado. Naquela rodoviária mal iluminada, lágrimas que há muito não davam o ar de suas graças escorriam sobre meu rosto marcado por noites de insônia, enquanto me despedia de alguém que é muito importante na minha vida - chegava ao fim mais uma das minhas tentativas de viver normalmente.
Por eras pensei em construir um muro em volta do coração. Ela veio, sutil e ao mesmo tempo confiante. Hesitei por alguns momentos, alguma esquiva verbal mal sucedida foi proferida. Me vi tentando não acreditar que naquela noite de Outubro, nossos lábios se encontrariam. Foi um momento mágico; o muro que outrora erguia-se pouco a pouco em volta do meu coração tornou-se como areia seca no vento.
Me senti um tanto inseguro por algumas semanas, pois não acreditava que alguém como eu, que tentava se livrar da vontade de ter uma companheira por pensar que nunca daria certo por motivos de qualquer natureza, pudesse fazê-la feliz. Aquela moça linda, imponente e culta, cabelos longos, voz inconfundível e olhos radiantes. Levei um bom tempo para assimilar que tive a capacidade de encontrá-la.
Hoje, mais do que nunca, sei o valor do tempo. Quando acreditamos que o amanhã virá ou que a eternidade existe, nos dispersamos e damos prioridade para prazeres mundanos, desperdiçando um tempo precioso demais e que poderia ser utilizado com sabedoria. Lembro-me de tê-la em casa, com pouco tempo para podermos ficar juntos e eu dizia "deixe-me terminar essa instance!". E lá se perdiam 30, 40 minutos ou até uma hora. O que resultava em uma hora a menos perto daquela moça, que perdia seu precioso tempo me esperando - somando duas horas desperdiçadas. Na minha ignorância, ficava cego e não enxergava tamanha beleza "miando" pela minha atenção. Foi como ter sede e não poder beber água. Pelo menos foi o resultado do que refleti sobre tudo isso, depois daquele 06 de Janeiro.
Hoje, tudo o que posso fazer é agradecer. Por tê-la em minha vida, pelo aprendizado, a chance de começar novamente. O lugar não é o mesmo, as pessoas, coisas, ares também. O que não muda é o simples fato de que eu vivi e com tudo isso aprendi a viver mais.
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