Todos somos medíocres e hipócritas ao nos declararmos seres pensantes. Destruição da natureza é tudo o que sabemos fazer: nossos carros, celulares, TV's de plasma, computadores e boa parte do que nos rodeia são produtos da exploração acelerada dos recursos naturais. Pessoas defendem a preservação da natureza via anúncios na internet, o PETA vai contra o uso de casacos de pele em desfiles de moda. O Greenpeace aluga embarcações para protestar contra a caça às baleias. À partir do momento em que os recursos mencionados são utilizados, todos somos hipócritas: dependemos da destruição para amenizá-la. É um círculo vicioso, essa vida moderna. Há um preço a ser pago para que um prato de comida esteja sobre uma mesa, e esse preço é muito mais alto do que se possa imaginar.
É quase impossível pensarmos num mundo sem aqueles objetos, símbolos de conforto e comodidade. Na eras antigas da humanidade, nada era tão fácil de se ter. Os homens viviam em certa harmonia com a natureza, desconhecendo a necessidade de exploração em massa. Sedentarismo era sinônimo de morte, e não do conforto, como nos dias atuais. As pessoas dispunham de muito mais espírito de equipe e amor e carinho para dar. Hoje, crescemos vendo nossos pais (quando os temos) longe de casa, querendo o melhor para nossas vidas, trabalhando o dia todo para sustentar outro filho: o capitalismo. Logo, criamos uma imagem individualista, na qual temos tudo, queremos tudo e mais um pouco: passamos a tratar pessoas como posse também.
Apesar de termos inteligência suficiente para evoluir, estamos presos à uma realidade um tanto deturpada. Nunca estamos satisfeitos e/ou somos quem queríamos ser. A TV demonstra os amores perfeitos das novelas, as propagandas empurram em nossa direção a tecnologia que deveríamos comprar, as revistas nos fazem chorar com a beleza que não temos, mas que é possível de se obter se utilizarmos certo produto. Tudo isso nos leva à um desequilíbrio geral, de mente, corpo e espírito, pois se não estamos satisfeitos de um modo, somos forçados a acreditar que não estaremos nos outros. Criamos dependência emocional, tanto para com objetos quanto para com pessoas. Gostamos mesmo é da alegria de quando ganhamos um carro pra levar a namorada pra passear. Mas nos entristecemos quando perdemos um MP47569 ou temos o celular roubado. Com certeza, queremos morrer quando o(a) namorado(a) termina a relação. E ficamos dias, meses ou até anos lamentando a situação.
Tristeza é um estado de espírito. Tem muito mais a ver com o nosso interior do que com situações dramáticas em si, e aprendemos a nos entristecer com exemplos; logo, sofremos porque achamos que é assim que deve ser. Como nos sentimos quando um bebê nasce ou uma pessoa querida morre? Ficamos felizes e tristes, respectivamente, e só porque vimos pessoas o fazendo na nossa infância. No México, a situação se inverte: o nascimento de uma criança é lamentável, mas a morte de um grande amigo seria digna de uma festa do cabide com cerveja grátis. Hipocrisia? talvez, mas sempre julgamos conforme nossas conveniências.
Tudo é tão mais fácil hoje em dia. Só não é fácil acreditar num futuro promissor. Com tanta informação sobre a situação do mundo, a estupidez humana e a voracidade do capitalismo não estão nem sequer perto de acabar. Nós mesmos financiamos a destruição desse planeta e sabemos disso, pois queremos dinheiro para termos toda a matéria que possa ser adquirida. Seis bilhões de opiniões diferentes, mas apenas centenas de soluções para milhões de problemas. Não existe mais espírito de equipe, apenas competição. O amor e carinho de sobra agora são só para indivíduos seletos, palpáveis e visíveis. O conforto tem um custo e a destruição em massa da natureza é um bom negócio.
Enfim, se quiséssemos alcançar algum êxito na salvação do planeta, teríamos que nos desfazer de quase tudo o que temos hoje e passar por uma bela desintoxicação mental e cultural. Mas será que queremos utilizar lamparinas à noite, tomar banho gelado, lavar roupa manualmente, ir a pé até a casa da namorada, mandar cartas escritas à mão para a avó? É muito mais fácil nos escondermos atrás da comodidade e fazermos vista grossa para a realidade do que mudá-la. Todos somos hipócritas...
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