Caros profissionais da área de propaganda e marketing: Não me levem a mal, mas estou aqui para expor algo medieval que vocês com certeza aplicam no seu trabalho.
Numa bela manhã ensolarada de domingo, liguei a TV depois de semanas sem tocar no controle remoto e me deparo com um novo comercial de certo carro de uma empresa alemã que há muito fabrica veículos em território nacional. Até aqui, totalmente normal, e não temos apenas esta companhia atuando no Brasil. O que me chamou a atenção foi uma nota de rodapé no decorrer do comercial, que denunciou no ato o tipo de público alvo: os jovens. Mas, que tipo de jovens?
Caros jovens da atualidade (ou futuros profissionais da nossa pátria): não tenho absolutamente nada contra a sua vontade de ser diferentes, emos ou gostarem de filmes e livros da tal saga "Crepúsculo". Nada mesmo. Mas o que utilizarei como argumento está bem nesta última opção.
De livros a filmes, as obras de Stephenie Meyer fazem muito sucesso entre os jovens e até certa parcela da população adulta na atualidade, que vou ignorar por enquanto. Não é difícil encontrar pessoas falando bem (ou mal também, gosto é gosto) dos livros ou dizendo que amaram o filme com o vampiro que passa gel de cabelo brilhante no rosto. Mas o fato é real, e Crepúsculo está na mente das pessoas, e isso dá brecha para os marketeiros se utilizarem de recursos do inconsciente humano.
A nota de rodapé do comercial da Volkswagen descrevia um recurso de segurança do automóvel como "sensor crepuscular". Caros leitores: qual é o objetivo de utilizar estas palavras para falar do "sensor de luminosidade", que aciona automaticamente os faróis quando o ambiente escurece? Será que é mais fácil entender crepúsculo do que saber o que é luminosidade?
Logo, acredito que a raça humana chegou a um nível em que a mercadoria já não deve ser comprada por consumidores pelo seu livre arbítrio, mas empurrada à eles através de lavagem cerebral, que é aplicada pelos manipuladores conforme a disponibilidade de contingente fácil de ser manipulado, resultando em lucro garantido através de trapaças. E isso não é necessariamente algo novo. Abusar dos menos favorecidos para subir ou permanecer no topo é costume medieval.
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